Manual de Civilidade para Meninas

Sempre que havia uma feira do livro ou um daqueles famosos mercados do livro manuseado e afins, lá estava um livrinho de capa cor-de-rosa com o seu ar cândido e muito discreto. E num rosa mais escuro, o título: Manual de Civilidade para Meninas.

Para bem dos nossos pecados foi reeditado, agora com nova capa. O rosa deu lugar ao branco e o arranjo tipográfico da capa em letras pretas e vermelhas dá-lhe outro ar. Ainda assim passa despercebido.

O mais curioso é o impacto duma primeira leitura desinteressada. Estaremos a ler o livro certo?

É afinal uma grande paródia à literatura para meninas do sec. XIX e por isso dividido entre conselhos para as várias actividades de uma menina: No quarto, em casa, na copa, em viagem, na igreja, deveres para com a mamã…

Deixo-vos algumas passagens, poucas, para não estragar o prazer da descoberta. Só mais uma coisa… evitem a leitura em locais públicos.

À mesa:

É coisa do pior mau gosto colocar furtivamente, debaixo do guardanapo duma menina, em vez do seu pãozinho habitual, um pénis de borracha.

Brincadeiras do recreio:

Nunca peçais a uma senhora permissão para irdes gozar com a filha dela. Dizei brincar, que é mais decente.

Na confissão:

Se o vosso confessor vos perguntar quantas vezes vos haveis poluído, não lhe repliqueis: “E o senhor?”

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